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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dia da Rádio

Hoje é Dia da Rádio e o meu coração fica assim pequenino de saudades. Comecei na rádio em 1995 (acho), na RCS (Rádio Clube de Sintra). Era uma rádio pequenina, que funcionava na Várzea de Sintra, num apartamento, e tudo aquilo era muito amador mas muito apaixonante. O estúdio era forrado com caixas de ovos e eu fazia edição de noticiários e tinha um colega que era um sacana brincalhão que me punha a música "Luzia" dos Mercuriocromos nos auscultadores enquanto eu dizia notícias importantes e sérias sobre o país e o mundo, para testar a minha capacidade de me aguentar sem explodir a rir. Foi um grande treino, só vos digo. Adorava os meus chefes, a Raquel Silva e o Paulo Parracho e chorei este mundo e o outro quando me vim embora (o costume, que eu para chorar, filhos, sou uma máquina).

Vim-me embora porque, entretanto, tinha começado a trabalhar com o Pedro Rolo Duarte na sua empresa de comunicação (Pretexto) e ele convidou-me para ter uma rubrica no programa que tinha na Rádio Comercial, o "Mundo de Aventuras". Foi outra escola magnífica. Fazia a semana em revista e aprendi a responder com rapidez às perguntas/provocações que ele me fazia em modo live (ainda que o programa fosse gravado mas ele não admitia ter que repetir e era tudo feito "live on tape"). 

Depois disso, muitos anos depois disso, tive alguns programas de rádio: "O Melhor do Mundo", "A Viagem da Cegonha", "Portugal dos Pequeninos", "Nós, Vencedores". A rádio cola-se-nos à vida de uma maneira esquisita, como se fosse uma segunda pele. É um trabalho mas é, sem dúvida, um prazer. E dos grandes. Ainda que tenha feito rádio antes e depois de ter feito rádio com o Pedro, para mim a rádio é ele. E é sempre da rádio com ele que me lembro, quando me lembro da rádio.

Acho que tenho na arrecadação alguns bocados de programas antigos, ainda com o Pedro (e talvez até pedaços de noticiários da RCS), em cassete, e quero muito ir ouvi-los (assim tenha um leitor de cassetes lá na arrecadação, não tenho a certeza). Se conseguir encontrar ponho aqui. Acho que era um belíssimo tesourinho para partilhar convosco. 

Feliz Dia da Rádio!

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Casas Comigo #2

Eis o novo episódio do Casas Comigo, uma rubrica aqui do vosso Cocó em parceria com a JLL. Como sabem adoro casas e tive a ideia peregrina de ir conhecer alguns imóveis de cair para o lado, podendo meter o nariz em tudo, e com visita guiada de quem percebe do assunto. O que podia querer mais da vida? Nada, pessoas. Nada. O agente imobiliário (de luxo) que há em mim está muitíssimo satisfeito. Só há um perigo: o de querer comprar cada casa que conheço. Esta era de caras!

Long live the Liiv

A Liiv é uma nova publicação online que acabou de nascer. Saiu das mãos de uma amiga mas não é por isso que falo dela aqui. Ok, é também por isso. Mas é sobretudo porque fui mesmo surpreendida por esta novidade, porque não sabia de nada, porque ela esteve caladinha a fazer isto acontecer. E porque está linda, bem escrita, bem feita e já está na minha lista de favoritos para ir descobrir temas novos, coisas interessantes para ler. A Liliana Valpaços é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, dona de um sentido de humor rápido e mortal, capaz de um pensamento lógico e estruturado que é tão contrário ao caos onde me movo que não deixa de me deslumbrar.

Cliquem na imagem para irem directamente até à novíssima Liiv

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Parabéns, Lili (e Sílvia Baptista, que isto é das duas).

Jantar do Clube de Leitura

Foi há uma semana e juntou as pessoas que já participam no clube. Chovia a cântaros mas mesmo assim éramos 23. Houve algumas pessoas que não puderam ir, como sempre acontece, mas é sempre um prazer enorme reunir tanta gente em volta dos livros. Tudo começou assim mas a verdade é que já temos aqui uma pequena comunidade que existe para lá dos livros, para lá do clube, para lá de mim, que o criei. É um corpo vivo, autónomo, e isso é o melhor de tudo.

No fim deste mês lá nos encontraremos, numa reunião aberta a todos os que queiram participar. O local do convívio ainda não está definido, pelo que vão lendo os vossos livrinhos e, em breve, darei pormenores sobre o ponto de encontro.

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Já sabem o que fazer no Dia dos Namorados?

Sugiro uma escapadinha até ao Convento do Espinheiro, em Évora, para uma noite romântica (ou, quiçá, um fim-de-semana). Já lá estive várias vezes e é um daqueles hotéis que não falham. 

Desta vez estivemos a convite e a experimentar um dos packs disponíveis justamente para comemorar em grande o S. Valentim. Ficámos na Suite Garcia de Resende, toda decorada para o efeito, e tivemos um jantar mesmo ali, na suite, servido por um mordomo (calhou-nos o Francisco Lino que era simpatiquíssimo e que tinha sentido de humor, que é algo que sempre se aprecia: despedia-se de nós, entre cada prato, dizendo: "dentro de 11 minutos estarei de volta" ou "desta vez voltarei dentro de 17 minutos"). Sim, celebrámos antecipadamente o dia, mas o São Valentim é como o Natal, quando a gente quiser (e nós para namorar estamos sempre prontos).

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Para jantar... só coisas boas:

Começámos com um lombo de atum braseado, couve-flor e beterraba, acompanhado por um espumante especial Convento do Espinheiro. O prato de peixe foi Bouillabaisse de robalo com lagostim, aipo e emulsão de ostra (vinho branco EA). Para limpar o palato, antes da carne, o Francisco Lino serviu-nos um sorbet de gengibre com espuma de açafrão e depois veio o peito de pato assado e a sua perna crocante com marmelo, cassis, cheróvia e amêndoas (vinho tinto Comenda Grande). Para sobremesa, Ruibarbo, chocolate branco e framboesa. E para dar a estocada final na dieta (como se fosse possível fazer dieta nestes sítios!), lá veio o café com uma selecção de chocolatinhos. Jasuuuuus!

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Fomos no sábado depois do almoço e voltámos no domingo antes do almoço. Foi mesmo uma escapadinha rápida mas soube tão bem (sabe sempre). O Convento do Espinheiro é lindíssimo, é um ex-convento do século XV (classificado como monumento nacional) e há história em cada detalhe. Eu, que sou uma alma antiga... adoro. Adoro a decoração clássica, adoro os tectos em abóbada do restaurante Divinus, o Spa, o piano de cauda numa das salas... No verão é óptimo porque tem duas piscinas exteriores onde se está que é uma maravilha, mas no inverno continua a ser óptimo porque há um silêncio que convida à leitura e oferece paz.

Se quiserem ver os pacotes que o Convento do Espinheiro tem ao dispor para o Dia dos Namorados, estão AQUI. É sempre um bom presente para oferecerem à vossa cara-metade (com a enorme vantagem de ser um presente egoísta, uma vez que também vão usufruir dele - sim, não mandem a cara-metade sozinha, que assim não tem graça!). 

Obrigada, Convento do Espinheiro! 

Obrigada aos melhores amigos do mundo, que ficaram com os nossos filhos para irmos namorar. 

O meu filho criou uma revista (e eu estou a rebentar de orgulho, desculpem lá)

O Manel andava há meses à volta de um projecto. Não desvendava nada, dizia apenas que era "um projecto". Na sexta-feira mostrou-nos do que se tratava. E nós, os pais, chegámos a comover-nos. O Manel criou uma revista digital de futebol que foi publicada hoje. Tem 17 anos e pensou-a, desenhou-a, escreveu-a de uma ponta à outra. Ele não quer ser jornalista mas eu vejo aqui a mesma paixão por comunicar que eu sempre tive (mas direccionada para o futebol, que é aquilo de que sabe mais na sua ainda curta vida). Estou a babar de orgulho e gostava muito que fossem lá espreitar. 

Cliquem na imagem para verem a revista completa.

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@ Rede

Viram a reportagem @ Rede, no Jornal da Noite da SIC? Foi feita em três partes (três dias) e é absolutamente imperdível. Se não viram vejam. É a história de um homem que se vê enredado num esquema maluco, que se vê envolvido por uma mulher que não existe (a imagem dela existe mas a personalidade e toda a vida é inventada por outra pessoa), por quem se apaixona, com quem fala ao telefone (com ela, com a mãe, com a irmã, com amigas - e, afinal, era sempre a mesma pessoa a fazer vozes e personalidades distintas). E não é só ele que é envolvido. São várias pessoas. Inclusivamente a pessoa por quem ele se apaixonou, que não fazia ideia de que a sua imagem estava a ser indevidamente utilizada.

A autora desta brincadeira é professora do ensino Básico, é mãe, e tem mais de 40 anos. O que leva alguém a fazer isto só pode ser um profundo desequilíbrio. E todos nós, que estamos na rede, podemos cair nesta ou noutras teias. As novas plataformas online são ferramentas muito úteis e têm inúmeras vantagens. Mas não há bela sem senão e este é um dos lados negros da internet.

A reportagem está muitíssimo bem feita. Muitíssimo bem contada. E olhem que não era fácil, que aquilo é uma teia do catano. Os meus parabéns à Conceição Lino e à sua equipa. Aquela história é arrepiante, aflitiva, doentia. Foi como assistir a um episódio do Black Mirror mas sabendo que é realidade. E é, também, um espelho da sociedade chalupa que estamos a construir. 

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Clube de Leitura de Janeiro

Este mês não haverá clube de leitura aberto ao público.

Vamos ter um jantar com as pessoas que têm feito parte deste clube que completou agora mesmo dois anos, para comemorar tantos encontros e uma comunidade que se tornou mesmo, mesmo especial na minha/nossa vida. 

Para o mês que vem os nossos encontros mensais, abertos a todos os que queiram aparecer, regressarão. 

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Mudar de Vida #16: Ricardo Teixeira

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Andar de mota e fazer surf eram as únicas coisas que queria da vida. Tinha 17 anos e os dias corriam leves e felizes. Para Ricardo Teixeira a praia só fazia sentido se fosse para aquele confronto com o mar, aquela dança solitária que o fazia sentir-se livre, temerário, vivo. Nunca o viam deitado na toalha ou em convívio com os amigos. Praia era surf, ponto final parágrafo. Para lá chegar, claro, ia de mota. E não devia andar devagar porque todos vaticinavam que ainda ia morrer num acidente. Ricardo ria-se, não ligava. Queria adrenalina, queria desafiar-se, tinha 17 anos e aos 17 anos não se pensa cá em morte.

Um dia, quando ia experimentar uma prancha nova, encontrou os amigos das motas e decidiram ir todos juntos para a praia. Na brincadeira, um atirou-lhe areia. Ele foi a correr atrás. O outro atirou-se à água. Ele seguiu-o. Estava longe de imaginar o que aconteceria depois. "Dei o chamado 'golpe de coelho' na cervical. Senti logo que tinha sido grave. Não deixa de ser irónico. Sempre tive medo de mergulhos porque o meu pai tinha-me contado, uns dez anos antes, que um amigo tinha dado um mergulho que tinha corrido mal. Fiquei de tal modo impressionado com aquilo que deixei de andar na ginástica onde já fazia mortais e piruetas. Ganhei medo. E depois - ironia das ironias - num mergulho absolutamente banal para o mar, aconteceu aquilo."

Aquilo foi uma tetraplagia. Ricardo recebeu a notícia da pior forma possível. "Estava no hospital e apareceu uma psicóloga que me acordou a dizer que precisava de falar comigo. Depois perguntou-me se os meus pais tinham possibilidades financeiras. Quando quis saber porquê respondeu: 'Porque o Ricardo nunca mais vai andar e vai precisar de uma cadeira eléctrica porque nem força nos braços vai ter para fazer a cadeira andar.' Foi uma forma simpática de dar a notícia a alguém que tinha 17 anos e só pensava em motas, surf e skate."

Mas Ricardo é feito de uma fibra diferente. Talvez seja da fibra das pranchas, que resistem à violência da ondulação. E nunca precisou de cadeira eléctrica. Durante estes 20 anos (que já passaram desde o acidente) andou sempre de cadeira manual. Só há três anos passou para a cadeira eléctrica porque comprou uma carrinha adaptada onde a cadeira entra (e serve de lugar para o condutor) e sai, tornando-o completamente autónomo. Mas voltemos atrás, para continuar a demonstrar por que razão a fibra deste homem é especial.

Desde os 13 anos que Ricardo tinha uma skate/surf shop em Alverca. Bom, não era propriamente uma loja, que nem seria legalmente possível por se tratar de um menor, mas era um canto na loja da mãe que ele geria, sozinho. Os pais não interferiam e ele fazia negócio. Ia fazer compras a grandes marcas sozinho e levava o cheque assinado pelos pais que tinham nele toda a confiança. Não se enganaram. Sempre soube fazer dinheiro do dinheiro, como no milagre da multiplicação (só que nunca foi milagre, mas sim jeito para o negócio e muito trabalho).

Depois do acidente, largou a loja e dedicou-se à compra e venda de acções. Não sabia nada sobre a Bolsa ou sobre mercados mas rapidamente aprendeu e garante que ganhou muito dinheiro. Quando apareceu a internet, meteu-se por aí com a facilidade com que sempre se meteu em tudo. Começou a desenvolver páginas para empresas (na altura os sites chamavam-se assim) e voltou a ter sucesso. "Aos 20 anos tinha a minha casa e vivia sozinho. O acidente não me impediu de nada. Era na minha casa que desenvolvia os sites."

Fez o 12º ano e entrou no ISCTE. Mas, ao mesmo tempo, foi a uma entrevista na Microsoft e ficou logo lá a dar assistência técnica a clientes. Como tinha um emprego durante o dia na Microsoft e tinha a sua empresa a carborar nas horas que sobravam, não chegou a ir para a faculdade. Na Microsoft fez um projecto sobre novas formas de teletrabalho, que deu nas vistas: New ways of Working. O Bill Gates teve conhecimento do projecto e ganhou um prémio a nível europeu e vários prémios nos Estados Unidos. 

Passado um ano, despediu-se da Microsoft, arranjou um escritório em Lisboa e chegou a ter 15 funcionários a trabalharem consigo, na construção de sites. Foi abrindo várias empresas dentro do mesmo ramo, vendeu uma delas ficando accionista e, em 2010, achou que as agências de publicidade precisavam de um grande apoio a nível digital e criou uma produtora chamada Digital Works (que abriu também um polo no Reino Unido).

Em 2007 Ricardo abriu também a Jump Master, uma empresa de investimentos imobiliários. "Aproveitei a crise e comprei apartamentos, prédios, escritórios. Uns vendia, outros ficavam." Continua a ter essa empresa e no ano passado vendeu a Digital Works (que teve durante 7 anos). "Estava farto de estar na mesma área. Vendi e pensei: e agora? Não quero ficar a viver dos rendimentos... Fui ler o meu ficheiro das ideias. Tenho um sócio noutra empresa de investimentos imobiliários e fomos almoçar. Considero-o como um filho mais velho. Estávamos a bater bolas e, às tantas, contei-lhe a minha ideia. Ele deu um pulo na cadeira: 'Vamos avançar! Sou teu sócio nessa!'"

A ideia era totalmente diferente de tudo o que já tinha feito: uma casa de... frangos assados. Mas uma casa de frangos diferente: bonita, moderna, com pinta. E com preocupações ambientais. Onde se pudesse comer mas que também tivesse serviço de entregas. Era preciso reinventar o mercado. Ricardo pôs-se em campo. Montou o Business Case e percebeu que podia ser rentável. "Fiz um documento extensíssimo. Queria acabar com os plásticos e com os alumínios... Não queria ter carvão, que é nocivo para a saúde. Era preciso reinventar as caixas, era preciso reinventar as grelhas. Comecei a definir que só me metia nisto se conseguisse dar a volta a tudo o que me parecia desactualizado e mau neste segmento. Fui ter com vários chefs para saber como ter um frango bom sem carvão e sem fumo, como ter bons molhos, e o Joe Best disse que queria entrar no projecto e ficou como consultor."

E assim nasceu o Bairrista. A 9 de Agosto do ano passado, porque acharam que ia estar pouca gente e que, assim, podiam ir-se preparando para maior fluxo de clientes. Nesse dia tiveram a visita de mais de cem pessoas e, no segundo dia, receberam duzentas. 

O que distingue o Bairrista das outras casas de frango? Bom, tudo. Para começar, o espaço é tão acolhedor que apetece comer lá dentro e, como não há fumos, não se corre o risco de sair de lá com... um perfume novo. A segunda diferença é mesmo essa, o facto de não haver fumo. "Conseguimo-lo com grelhadores ao contrário. Ou seja: em vez de estarem em baixo, com carvão e brasas, estão em cima. Em baixo temos água. Assim não há fumo e muito menos carvão, que só nos faz mal." Quanto aos frangos, são criteriosamente escolhidos. "Nunca tive um frango congelado. Recebemos frangos todos os dias frescos. São abatidos 24 horas antes." As batatas fritas também são diferentes. São fritas em gordura vegetal e, para ficarem secas e não ensopadas em gordura, passam por um secador mal acabam de fazer. Depois, a outra grande diferença tem a ver com o ambiente. Todas as caixas são em papel. Tão giras que as pessoas têm pena de as deitar fora.

Ricardo é casado e tem um filho que vai fazer 5 anos. Ao filho tem muito para ensinar, não apenas a mexer-se no mundo dos negócios, como também a viver a vida sem se deixar vencer pelas adversidades. Quando conversamos com o Ricardo rapidamente esquecemos que está sentado numa cadeira diferente da nossa. E quando estamos de pé ao lado dele nem nos lembramos que ele segue o caminho num plano mais abaixo. É como se estivesse exactamente ao mesmo nível do olhar. Porque ele é muito mais do que aquele mergulho e do que o mergulho lhe fez. Porque ele é tão grande como o tamanho dos seus sonhos. E se este homem sonha!

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*Mudar de Vida é uma rubrica que nasceu aqui no blogue em 2016 e que pretende contar histórias de pessoas que deram um rumo completamente diferente à sua vida profissional, com tudo o que isso implica em termos pessoais

Rota da Saúde #10: A canja cura a gripe?

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Quem é que nunca ouviu alguém dizer: "Estás com gripe? Toma lá esta canjinha que ficas boa num instante." Há sempre uma avó, uma tia, uma madrinha que acredita piamente ser esta a receita infalível para curar não apenas a gripe mas as doenças todas que nos batem à porta. Uma febre, uma indisposição e lá vem o conselho "sábio": canja de galinha.

A verdade é que até há ditados populares que enaltecem o poder da canja: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém". Pois. Mas e bem, fazem? Será que a canja é mesmo eficaz no combate ao vírus da gripe? A resposta é: não cura a infeção, mas ajuda a fortalecer o corpo e aliviar alguns sintomas, como a coriza (pingo no nariz) e a fraqueza.

Originalmente, a canja é um prato asiático, que terá sido divulgado por Garcia de Orta, o médico da corte portuguesa que vivia na Índia no século XVI. No Estado de Malabar, onde se encontrava a antiga colónia de Goa, a “kanji” – como era conhecida – era muito popular. À mistura de água com arroz dos indianos, os portugueses viriam a acrescentar legumes, tempero e galinha, transformando-a na canja dos dias de hoje.

Canja de galinha: o segredo está no frango?

A combinação clássica da canja de galinha tem arroz, frango, cenoura e caldo. A cebola e o alho, usados no tempero, são alimentos imunomoduladores, que contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico. Mas o grande responsável pelo fortalecimento do corpo é o frango. Rico em zinco, um mineral que acelera a produção de glóbulos brancos, acaba por tornar o sistema imunológico mais eficiente. Além disso, a carne de galinha cozinhada liberta cisteína, que é um aminoácido importante para a expetoração que fica acumulada nas vias respiratórias. A cisteína atua sobre o muco pulmonar e torna-o menos espesso, agindo como a acetilcisteína, que se encontra em medicamentos para descongestionar pulmões.

Se quiserem saber mais, podem ler tudo AQUI.

 

(Esta rubrica é uma parceria com a Lusíadas Saúde)