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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Drogas. Uma boa hipocondríaca tem sempre drogas por perto

A Luísa Leal é farmacêutica e tem um blogue muito giro chamado, justamente, "A Farmacêutica". Além disso, tem um lugar cativo no meu coração porque participou num dos workshops de cozinha que fiz (e gostei logo muito dela) e porque é um dos membros quase sempre presentes no Clube de Leitura. Vai daí que, quando me convidou para escrever sobre o meu kit de farmácia, disse logo que sim, claro. Eis o resultado. Quem quiser ver, é clicar na foto, do Pau Storch que vai lá ter directo.

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Se preferirem... vão AQUI

Mãe, porque não gostas de mim?

Toda a gente devia ler este livro. Uns para encontrarem consolo, outros para compreenderem que, afinal, se calhar até nem têm assim uma tão má relação com as suas mães, outros ainda para confirmarem que têm a melhor mãe do mundo. E quem já é mãe pode também tirar boas lições sobre o que não fazer com os seus filhos. Amanhã terei todo o gosto em estar lá, na Fnac do Colombo, às 18.30, a co-apresentar o "Mãe, porque não gostas de mim", da jornalista Lucília Galha.

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Um fim-de-semana vinícola

No sábado de manhã chegámos à Herdade das Servas, em Estremoz. Tínhamos chegado na véspera, o dia amanheceu lindo, a piscina estava convidativa mas foi fácil convencer os miúdos a abdicarem dela porque lhes tínhamos falado em ir pisar uvas. Apesar de os mais velhos já o terem feito, numa casa familiar, já foi há muitos anos e têm pouca memória disso. 

A visita à adega foi muito interessante. A Mafalda e o André fizeram-nos a visita guiada, explicaram imensas coisas sobre os vinhos da Herdade das Servas, mas aquilo que mais memorizei foi o facto de ali não regarem as vinhas por opção. Ou seja, deixam a natureza cumprir o seu papel. Isto proporciona dois fenómenos distintos: por um lado, os vinhos são muito mais concentrados, por outro, a produção não é tão grande como seria se houvesse rega (mas o vinho seria totalmente diferente). 

Atentem que eu sou apenas uma leiga a falar destas coisas e a fazer o "resumo do resumo" do que me foi dito. Mas olhando para os vinhos da Herdade das Servas (e provando-os), nota-se perfeitamente que esta opção faz deles vinhos com características muito particulares. Para mim, que bebo vinho com alguma facilidade (leia-se "como se fosse água" 😂), noto que estes são vinhos que, mais do que serem bebidos, faz sentido serem degustados. Estarei porventura a dizer parvoíces mas é assim que o sinto. Há um sabor carregado que merece tempo. 

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Foto: Jerónimo Heitor Coelho 

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Este ano, está a demorar a que as uvas estejam no ponto para serem apanhadas. E foi por isso que a nossa experiência levou ali uma volta. Como só saltam para o lagar de mármore as uvas de alta qualidade, que prometem dar um vinho de topo, e como a apanha ainda não tinha começado, tivemos de saltar para uma cuba que tinha algumas uvas (porventura fruto da apanha possível) onde a pisa já é feita de forma automática (e não a pé, como nos lagares de mármore). Foi uma aventura entrar lá para dentro mas lá fomos (ia ser um bocado complicado, depois da visita inteira, dizer aos miúdos "ah, afinal não vão pisar uvas coisa nenhuma"). 

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Como não havia fato para a Mada e para o Mateus (não têm para miúdos tão pequenos) só puderam ir ao colo, até porque ela ficaria com uvas até ao pescoço e o Mateus ficaria submerso. Mas deliraram na mesma. Ela ainda pôde descalçar-se e experimentar pôr o pé. Já não me lembrava como é difícil andar ali, a tracção que aquilo tudo faz nas pernas. Só estivemos às voltas um bocadinho, imagino o que custará estar horas na pisa depois de já terem estado horas a colher as uvas, à torreira do sol! Ah, gente valente!

 

A seguir à visita, fizemos uma prova de vinhos. Que maravilha. A cor, o cheiro, o sabor. Amei sobretudo os brancos e o rosé. O tinto menos, mas também pode ter que ver com o calor que estava. Depois das provas, almoço no restaurante Herdade das Servas. O couvert começou logo bem com uma divinal manteiga de chouriço e o queijo de ovelha de Estremoz. Depois, entrou em cena o Bacalhau às Servas (sublime), seguido de Bochechas de Porco Preto Assadas no Forno (imperdível). Não comi sobremesa mas tinham todos óptimo aspecto.

Estes programas podem ser marcados em herdadedasservas.com e valem mesmo muito a pena.

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Depois do almoço... voltámos ao hotel que só tínhamos visto à noite, quando chegámos, e de manhã de raspão ao pequeno-almoço. E que lindo que é este hotel de charme no coração de Estremoz.

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Clube de Leitura: foi o mais longo (ou não fosse o primeiro depois das férias)

Em Agosto não houve encontro e, para a maioria das pessoas, foi mês de férias ou seja, para muitos, mês de pôr a leitura em dia. Uma coisa a somar à outra deu nisto: começámos às 19h e terminámos às 22h. Estivemos três horas a falar dos livros que lemos, a falar de coisas da vida (porque as conversas são como as cerejas e os livros espelham tantas coisas que vivemos e outras tantas que não vivemos mas imaginamos). Éramos 20 (se bem que na altura da foto já não estava toda a gente) e foi perfeito, como sempre.

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LuísaNorwegian Wood, Haruki Murakami 

Cocó na Fralda, Sónia Morais Santos

FranciscoAvozinha Gangster, David Walliams 

Inspector Max - Alerta no Mega Concerto, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

CéliaA Vida de Pi, Yann Martel

Flores, Afonso Cruz

A Princesa de Gelo, Camilla Lackberg

SusanaJogos de Raiva, Rodrigo Guedes de Carvalho. A forma como descreveu o livro e, sobretudo, o final do livro, fez com que ficasse com muita vontade de o ler.

Inês - Tem 16 anos e diz que leu vários livros mas muitos eram mauzinhos (era o que havia em casa da prima). Saga After, Anna Todd

Younger, Pamela Redmond Satran

"Só depois passei para algo mais desafiante intelectualmente. Tão desafiante que ainda não acabei de ler. É, na verdade, uma releitura de um dos meus livros preferidos de sempre: A Rapariga de Roubava Livros, Markus Zusak. Quem não leu devia mesmo, mesmo ler." 

Elisabete - O Estrangeiro, Albert Camus (ainda em atraso da tertúlia anterior, a que faltou)

Os Homens Que Odeiam as Mulheres

A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, ambos de Stieg Larsson

A Viagem do Elefante, José Saramago. Elisabete tinha uma malapata com Saramago, por não ter gostado do Ensaio Sobre a Cegueira, e foi convencida pela Didi a dar-lhe mais uma oportunidade. Diz que valeu a pena e que vai ler mais Saramago.

A Pequena Abelha, Chris Cleave (não gostou, diz que era chato)

O Desaparecimento de Stephanie Mailer, Joel Dicker

Fartou-se de ler, a Elisabete! :)

Beatriz - O Estrangeiro, Albert Camus (ainda em atraso)

Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, João Tordo (ainda em atraso, da leitura conjunta)

A História de Uma Serva, Margaret Atwood. A Beatriz achou demasiado gráfico, muito depressivo, sem luz ao fundo do túnel. 

Estúpida, Eu?, Camila Coutinho. Pediu a uma pessoa que foi ao Brasil para lhe trazer (o livro não foi publicado em Portugal). Sobre o percurso de uma blogger inteligente. Beatriz falou do seu olhar sobre o mundo da blogosfera (e não foi nada meiga) e sobre as excepções. Gostou do livro por ser uma excepção, que veio confirmar o que ela já esperava da blogger em questão.

DidiMeridiano 28, Joel Neto. Aconselha. Nem fazia ideia do papel dos Açores na 2ª Guerra Mundial.

Estuário, Lídia Jorge. Gostou muito e serviu para desmistificar a ideia que tinha de Lídia Jorge: "Achava que era demasiado intelectual para mim, que não ia conseguir acompanhar." E no entanto... não foi.

Mafalda - Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, João Tordo. "Ri-me tanto, tanto". Ficámos todas a olhar para ela com espanto. "Riste? De que parte? Da parte em que o pai espanca o filho? De quando ele o atira do telhado e o puto se parte todo?" Ela riu-se ainda mais. Afinal, riu-se da loucura de Tsukuda, como qual acabou por criar uma empatia.

Não Respire, Pedro Rolo Duarte. "Não tinha qualquer tipo de enquadramento sobre o jornalismo em Portugal e fiquei a saber mais. Adorei as lições de vida e já o emprestei ao meu namorado, que está a gostar muito também."

Perguntem a Sarah Gross, João Pinto Coelho. Adorei. Foi mesmo dos que gostei mais.

O Planalto e a Estepe, Pepetela. Ainda está a ler mas acha curioso que oiça a voz de um homem angolano sempre que o lê, pelo facto de a escrita ser tão diferente.

JoanaO Espião Improvável, Daniel Silva. Muito interessante em termos históricos, tendo como foco a segunda guerra mundial, nomeadamente o Desembarque da Normandia.

IsabelA Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te, Rosa Montero. A história de amor da autora e a história de amor de Marie Curie, entrelaçadas. Um livro sobre o amor, sobre o ser mulher, sobre superação da dor, sobre as relações entre homens e mulheres, sobre morte e vida, ciência e ignorância.

Isabelinha - "O que é que leste, Isabelinha?", "Nada!" O título do livro infantil proporciona a piada. Nada, Yasmeen Ismail é a história de uma menina com muita imaginação. Tanta imaginação que a faz esconder da mãe todas as coisas em que pensa. Assim, quando a mãe pergunta o que é que se passa, a filha responde: "Nada!" Até que aparece uma avó, que também tem muita imaginação e que compreende os devaneios da neta.

Beatriz - O Retorno, Dulce Maria Cardoso. Beatriz não sabe dizer se foi das expectativas estarem tão altas, uma vez que este já foi um livro muito lido no Clube (eu já li e adorei), mas ela não achou assim tão encantador. Didi acredita mais que essa falta de encantamento se deva à juventude de Beatriz. 

Uma Outra Voz, Gabriela Ruivo Trindade

Histórias do Fim da Rua, Mário Zambujal

Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal

O Amor nos Tempos Modernos, Azis Ansari - Beatriz quis ler um livro que desconstrói essa coisa do amor que nasce nas aplicações online.Graças às tecnologias, as alternativas aumentaram e, com uma simples pesquisa, acedemos a informações que por vezes criam grandes expectativas, por outras, grandes desilusões. 

AnaO Estrangeiro, Albert Camus

O Retorno, Dulce Maria Cardoso. Deste, Ana gostou tanto que até veio vestida a rigor. Trouxe umas calças que podiam ser dos anos 70, trouxe um fio de missangas que era da mãe, e algumas fotografias de época (os pais, ela e os irmãos gémeos quando viviam em Moçambique). Gostou muito, achou muito fidedigno, sendo que os pais dela tiveram a sorte de serem acolhidos pela família (muitos não tiveram essa sorte e deambularam por hotéis e moradas provisórias antes de conseguirem refazer as vidas).

SaraFim, Fernanda Torres. Gostou, mas sem a paixão que alguns membros do clube (eu incluída) transmitiram. Sara crê que talvez o facto de o livro tratar de pessoas mais velhas, que revêem a vida, que falam dos filhos e de tudo o que passaram, estando ela tão longe desse "final anunciado" - "eu nem filhos tenho ainda!" - possa ser a razão para não ter gostado tanto.

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, Joel Dicker

Os Lucros da Rua Mazur, João Pinto Coelho

Viagem ao Coração dos Pássaros, Possidónio Cachapa. "Não percebi nada. No final até fui ler críticas ao livro e li alguém a dizer que era 'um género literário'. Ok. É um género que eu não consigo atingir. Deve ser isso, mas não gostei."

Rosa - Está a ler um livro que ainda não terminou: A Mulher Certa, Sándor Marái.

DianaO Estrangeiro, Albert Camus. "Cheguei ali a meio e levei uma série de tempo a voltar a pegar-lhe. Não me causou nada... não me provocou sensação alguma."

A Laranja Mecânica, Anthony Burgess. "Leva-se algum tempo a entrar no livro porque, para começar, ele apresenta um dialecto próprio. Depois de entrarmos nessa língua nova, percebemos que tudo é violência. Mas violência brutal, numa sociedade do futuro." - Diana ainda está a ler.

Marta - O Desaparecimento de Stephanie Mailer, Joel Dicker

Travessuras da Menina Má, Mário Vasgas Llosa

Noite Sobre as Águas, Ken Follet. Marta achou surpreendente o final. Rosa interrompe para dizer que odiou o final. Que odiou de tal forma o final que nunca mais leu nenhum livro de Ken Follet. E é de encontros e desencontros como este que  - também - se faz este clube de leituta. :)

Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago. "Já li muitos livros de Saramago, adoro todos, e este foi, sem dúvida, o melhor.  Estive duas semanas sem conseguir ler mais nada. Abria outro livro e simplesmente não conseguia." Já Elisabete (como vimos atrás), detestou este livro. Não há nada melhor que assistir a esta diversidade de opiniões e argumentos.

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E pronto. Eram 22h quando saímos dali. Eu não pude ir ao jantar que elas combinaram porque fui, nessa mesma noite, para o Alentejo. Mas fiquei mesmo feliz por ver que esta é uma comunidade que nasceu porque a pus em marcha mas que já vive para lá de mim. 

Em breve digo quando é o próximo encontro.

Uma vez mais obrigada à Fnac, por nos acolher há mais de um ano!

 

 

 

 

Inês Guimarães: Noves fora... tudo!

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Façam as contas: ganhou a Medalha de Prata nas Olimpíadas de Matemática, terminou o secundário com média de 19,7, está no 3º ano de Matemática na Universidade do Porto, tem um canal de Youtube sobre Matemática com 58 mil subscritores (and counting), acaba de lançar um livro. Contas feitas? Creio que o resultado é certo, sem casas décimais, sem necessidade de prova dos nove: Inês Guimarães vai longe. 

Encontramo-nos num apartamento que a editora marcou no Bairro Alto, em Lisboa, no âmbito da divulgação do livro, e surpreendo-me com o seu ar miúdo. Já a tinha visto nos vídeos do Youtube, claro, mas ao vivo parece ter ainda menos do que os seus 20 anos. Só depois de principiarmos a conversa é que a idade começa a fazer sentido, na verdade até podia ser mais velha, tal é a maturidade do discurso, a eloquência, a inteligência, a rapidez de raciocínio.

Inês Guimarães nasceu em 1998 na cidade com o mesmo nome. Filha de pai médico e mãe professora de 1º ciclo, sempre gostou de Matemática. Nunca lhe deu aqueles arrepios na espinha que dão a muitas crianças e jovens, sempre achou que parecia um jogo, mais do que uma matéria. Ainda assim, nada levava a crer que a Matemática se transformaria na paixão em que se veio a transformar. "Tudo aconteceu no 7º ano, em que apanhei um professor que se armava em mau connosco, para nos espicaçar. Se não sabíamos alguma coisa chamava-nos burros e, um dia, mandou-me escrever no caderno: 'A cada dia que passa eu apercebo-me de que ainda não percebo nada de Matemática.' E aquilo marcou-me tanto que houve qualquer coisa cá dentro que me impeliu a mostrar-lhe que, afinal, eu era capaz. Na verdade, ele conseguia ser intimidante, e talvez tenha começado a trabalhar mais também por medo!" Inês solta uma gargalhada fresca, para depois sublinhar o tanto que sente dever a esse professor - José Freitas - por a ter feito andar para a frente (ainda que talvez através de métodos pouco ortodoxos).

No 8º ano, decidiu participar nas Olimpíadas de Matemática. Como era muito trabalhadora, chamou a atenção de um professor da escola que começou a orientá-la. Ficou tão próximo que se tornou uma espécie de tutor. Consciente do seu gosto (e jeito) para comunicar, incentivou-a a participar em concursos em que era preciso fazer vídeos, motivou-a a fazer palestras. Chama-se João Oliveira e é outro dos responsáveis por esta paixão crescente da Inês pela Matemática. 

No 10º ano seguiu a área de Ciências e Tecnologia, ainda sem saber exactamente que curso escolheria mas quase apostada em continuar no caminho dos números. E foi no 12º ano que se juntaram três acontecimentos que se revelaram fundamentais neste percurso: "Estava a trabalhar para as Olimpíadas de Matemática, queria muito ganhar uma medalha, mas as coisas não me estavam a correr muito bem. Então, aproveitando o facto de o 12º ano ter menos disciplinas e deixar mais tempo livre, criei o meu Canal no Youtube: MathGurl. Foi uma coisa sem expectativas nenhumas, era mesmo porque tinha tempo e porque estava de certo modo desanimada com o caminho que as Olimpíadas estavam a levar."

[Antes de continuarmos a contar como cresceu o canal até se tornar um fenómeno, uma interrupção apenas para dizer que, nesse ano que lhe estava a "correr mal", ganhou efectivamente a Medalha de Prata nas Olimpíadas de Matemática.]

Feito o parêntesis, deixemo-la contar: "Um dia acordei e tinha 200 emails no correio. Fui ver e eram todos emails automáticos de quem se torna subscritor do canal. Ou seja, tinha-me deitado com uns 40 subscritores e acordei com mais 200. O que raio se teria passado ali? Fui ver e então tinha sido um professor que tinha um canal de Matemática no Brasil que me descobriu e que me recomendou aos seus seguidores. Depois, a propósito de ter ganhado a Medalha de Prata nas Olimpíadas fui entrevistada primeiro para uma revista de Guimarães, depois fui à SIC e à RTP, e em todo o lado falei do meu canal, pelo que os seguidores foram aumentando. Este ano fiz um vídeo com a Sequência de Fibonacci e o canal explodiu!" [o vídeo já tem 174 mil visualizações].

É ela quem faz tudo sozinha. Tem as ideias, escreve os guiões, põe a câmara num tripé a filmar, edita os vídeos. "Gosto muito de comunicar, gosto de desconstruir a Matemática, de a mostrar como algo que não tem de ser um bicho de sete cabeças, gosto quando as pessoas me escrevem a dizer que passaram a olhar a Matemática com outros olhos. Tenho prazer em fazer os vídeos e sei que é algo que me diferencia. Mas dá muito trabalho. Levo um dia inteiro, entre escrever o guião, filmar e editar. Só na edição levo cerca de 6 horas. Ora, quero focar-me no curso e isto é uma coisa que ocupa espaço na minha cabeça. Com o crescente número de subscritores, também sinto a obrigação de fazer vídeos com alguma assiduidade e de ter alguma consistência, e leva tudo muito tempo."

Inês é disciplinada, metódica e uma formiguinha trabalhadora. Não tem vida académica, nem sequer lhe sente a falta. Vive sozinha num apartamento da família, no Porto, de onde sai para a universidade, e onde regressa no final das aulas para estudar e reforçar a matéria. "Gosto de fazer as coisas bem feitas. E gosto muito de trabalhar." Também gosta de passear e conversar com os amigos, de preferência sem grande algazarra e espalhafato.

Nova pausa na narrativa para voltar atrás. Mais acima no texto dizia que, ao longo do seu 12º ano, houve três acontecimentos fulcrais na sua vida. De dois já falámos (o vencer da Medalha de Prata nas Olimpíadas de Matemática e a criação do canal de Youtube), falta referir o terceiro. "Estava nas férias de verão, concluído o 12º ano, e fui à Holanda visitar o meu irmão que estava lá a fazer Erasmus. Um dia recebi um email da editora Manuscrito a dizer que gostavam que eu fizesse um livro. Tinha cerca de 800 subscritores na altura. Fiquei entusiasmadíssima. Escrevi-o antes mesmo de entrar na faculdade. A editora foi adiando a publicação e pronto... foi agora!"

O livro chama-se "Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer". A mim não vão certamente, que esta é uma inimizade que vem de longe (com a Matemática, não com a autora, bem entendido), mas Inês espera que este livro possa chegar a muitos jovens, que ainda vão muito a tempo de olhar para a disciplina com outros olhos. 

Inês Guimarães vai acabar o curso para o ano ("se tudo correr bem") e a seguir conta entrar no Mestrado. Profissionalmente? Não faz ideia. Logo se vê. Para já tem alguns projectos que - espera - vejam a luz do dia em breve: "Creio que ainda este ano deve sair uma série minha na RTP Play chamada "Matemática Salteada", em que, com a ajuda de comida, vou explicando a Matemática."

Ela não pode adivinhar o futuro (nenhum de nós pode), mas não são precisos muitos cálculos para acreditar que a equação da sua vida só pode dar um resultado positivo. Nós por cá ficamos atentos ao evoluir desta operação. 

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 Canal de Youtube MathGurl 

Miss Fight

Ando a pensar correr uma maratona para o ano. Só não afirmo peremptoriamente "vou correr uma maratona para o ano", primeiro porque sei que a vida pode sempre trocar-nos as voltas para fazermos assim afirmações tão categóricas, e por outro porque, na verdade, quero deixar uma margem para, a meio do caminho, poder mudar de ideias e não ficar a pensar que agora que já assumi o compromisso publicamente sou um ovo podre se não o cumprir. "Estou a pensar correr uma maratona para o ano" dá para tudo. Dá para treinar sem pressões, dá para me entusiasmar com o projecto, dá para me fartar dos treinos, dá para desistir. Dá, em suma, para ser livre de escolher conforme me der na real gana.

Seja como for, já comecei os treinos. Devagarinho, 5km aqui, 7km ali, 8km acolá. Para a semana vou ver se consigo fazer 10km, mas se vir que ainda arfo como uma cadela asmática também termino antes, que não estou para me matar.

Entretanto, uma amiga falou-me do 1Fight. Falou-me é como quem diz! Ela basicamente evangelizou-me. Ai que é tão giro, ai que dá tanta pica, ai que já perdi 3 quilos, ai que nem imaginas, ai que tens de experimentar, ai que aquilo puxa tanto pelo cabedal que é impossível não ficar em forma, ai e é tão divertido. Bom, lá fui eu fazer uma aula experimental de Miss Fight (uma das aulas). Adorei. Gostei do espírito que lá se vive, gostei que não houvesse um único espelho (os espelhos nos ginásios servem muitas vezes para os vaidosos se admirarem a si mesmos, para os que não se sentem bem com o corpo se inibirem de fazer metade dos exercícios porque estão a ver uma prega a saltar de não sei onde, e para que todos se preocupem mais com a imagem do que propriamente com o que estão a fazer). Gostei de sentir que mexi todos os músculos do corpo - os das pernas, dos braços, da barriga, do rabo. E gostei da parte de espancar o saco. É altamente terapêutico.

Ontem fui à primeira aula já como membro do 1Fight. Repeti a aula "Miss Fight" porque já conhecia e, para começar, sinto-me melhor a ir onde estou minimamente à vontade. Prometi a mim mesma que não ia armar-me aos cucos (foi o que fiz da outra vez - cumpri o treino todo e fiquei entrevada toda a semana) e que ia parar sempre que estivesse com os bofes de fora. Cumpri a promessa. Quando era para fazer flexões fiquei deitada boa parte do tempo, fiz muito menos agachamentos do que estavam previstos e jumping jacks e abdominais e o cacete. Só cumpri mesmo quando fomos para o saco (a minha parte preferida da aula). Imagino que muitas pessoas que tenham inimigos sintam um prazer especial em visualizar a cara do inimigo ali, no saco. Como felizmente não desejo bater em ninguém, sempre que o saco está à minha frente e me dizem para lhe bater... é imediato: penso no cancro. Não faço de propósito, não forço o pensamento, nada. Aparece automaticamente a palavra cancro à frente dos meus olhos e... é um vê se te avias. Viro bicho à pancada. 

À noite, quando me levantei do sofá para ir para a cama, percebi que já o fiz com muita dificuldade. Vai daí e tomei um comprimido para as dores musculares. O Ricardo fez uma massagem com uma pomada para o mesmo efeito. E hoje acordei muito menos empenada do que acordaria se não tivesse tomado estas medidas preventivas. Sei-o porque me dói tudo na mesma mas não a um ponto de ficar esfrangalhada no sofá. Estou funcional. Partidinha mas funcional. Amanhã conto ser capaz de correr. E para a semana sou menina para ir fazer Miss Fight de novo, e experimentar outra aula qualquer. 💪

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 Eu e a Liana, a culpada disto tudo

Bebés de Setembro? Alguém a ter bebé este mês?

A Galp e a vossa Cocó estão a oferecer - como, de resto, todos os meses deste ano - uma sessão com a Raquel Brinca, da Hug, ao bebé do mês. Basta inscreverem-se, indicando a data de nascimento dos vossos bebés, e depois a selecção será feita à sorte.

Do que estão à espera, pessoas? Olhem que estas sessões são pequenas maravilhas! Fosse eu mais nova (e mais enérgica, e mais paciente, e mais rica, e mais uma série de coisas) e acho que até tinha mais filhos só para fazer outra sessão com a Raquel!

Enviem email para: sonia.morais.santos@gmail.com

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My Little Dragon

É uma marca nova de roupa para a miudagem daquelas que dá vontade de comprar TUDO. E conhecendo a autora (é uma amiga que tem a criatividade a fervilhar no sangue) é de temer o pior no que toca o futuro - segurem os cartões, pessoas! 

O Mati já tem um casaco da My Little Dragon Store e amou-o. Hoje de manhã estava fresquinho e levou-o vestido mas depois, quando chegou à escola, não o queria tirar para mostrar a toda a gente. Lá o convenci (até porque estava um calor de ananases) mas foi a custo. Pequeno dragão de sua mãe.

A My Little Dragon está no Facebook e no Instagram.

Boas compras!

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Experience & Innocence

Ontem o Ricardo disse que tinha de estar pronta às 20h para sairmos de casa. 20:15h no máximo. Era uma surpresa. Quando percebi que era o concerto dos U2 nem queria acreditar! Sacaninha que é sempre capaz de me surpreender, mesmo levando já com 20 anos de surpresas dele!

Foi - acho que posso dizê-lo - o melhor concerto a que já fui. Mas que grande espectáculo, caraças! Todos em grande forma, não encontrei vestígios daquele percalço de voz que o Bono teve em Berlim, o show visual foi simplesmente incrível (com um passadiço elevatório que fazia de ponte entre os dois palcos e que era, simultaneamente, um gigantesco video wall onde imagens projectadas se confundiam com as imagens reais dos músicos que por lá andavam), as mensagens de paz, de humanidade, de igualdade, da luta por um "mundo novo" a par e passo com imagens das múltiplas atrocidades a que o mundo já assistiu e continua a assistir (por vezes, demasiadas vezes, de forma impávida). Achei o som do Altice Arena por vezes mauzinho (parecia um rádio mal sintonizado) mas não foi o suficiente para beliscar a perfeição do concerto. São, realmente, gigantes. Eles e o meu homem. Obrigadaaaaaaaaaa, Ri! 

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