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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ainda a escola de hoje

Hoje conversei com a professora da Madalena sobre os 2% que ela retirou ao resultado do teste surpresa de Matemática dela. Achei que, apesar de me ser completamente indiferente ela ter 98% ou 100%, aquele corte não me fazia sentido e resolvi perguntar. E foi então que ela explicou que, infelizmente, tem de treinar os miúdos para os exames do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa) que têm critérios tão apertados, tão apertados que, se não os cumprem, os miúdos perdem pontos que é um disparate. "Eu compreendo a sua questão, e é óbvio que a resposta da Madalena indicava que ela sabia, estava implícito na resposta, mas eu tenho mesmo de os preparar para os critérios apertadíssimos das provas globais que eles vão ter."

Eu acho a professora da Madalena muito boa professora, acho que explica bem, sabe motivar, faz jogos para ajudar os miúdos a compreender. Por isso mesmo, estranhei aquilo. E ali ficámos as duas à conversa sobre a crueldade deste sistema de ensino, pautado por critérios absurdos, metas curriculares demoníacas, totalmente desajustadas à maturidade dos miúdos. Disse-me ela que, neste momento, há alunos do 2º ano que já estão completamente perdidos a Matemática. Completamente. E não é por serem burros, inaptos ou por terem um cérebro incapaz de pensamento lógico. É simplesmente por serem imaturos. E a Matemática, pelo seu nível de abstracção, implica maturidade. Ora, se ao 2º ano (em que já dão fracções) já perderam o comboio, tendo em conta o exagero das metas curriculares será muito difícil, senão impossível, que alguma vez consigam voltar a apanhá-lo. Serão, tal como no filme do post anterior, peixes obrigados a subir às árvores, ou seja, miúdos que se sentirão estúpidos para o resto da vida, sem que, na verdade, o sejam.

É nisto que todos devíamos reflectir. No que estamos a fazer aos nossos filhos. No que estamos a permitir que lhes façam.

Deixo o exercício da Madalena, só para que percebam o tipo de critério de que estamos a falar.

Ser aluno nos dias de hoje é tramado.

Ser professor e levar com isto também não deve ser fácil.

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3 comentários

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    Anónimo 05.06.2017

    Concordo Miriam. O meu também anda no segundo ano e eu, incentivo-o sempre a justificar corretamente as suas respostas e opiniões (independentemente de serem relacionadas com assuntos escolares) no entanto tenho-me deparado com questões no domínio da matemática que são demasiado exigentes para a maturidade de uma criança com 7 anos! Agora em tom de brincadeira: deveríamos descontar 2% à professora porque não detetou esse erro ortgráfico?
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    Paula Gonçalves 05.06.2017

    Apoio o desconto de 2% à professora por não detetar o erro ortográfico. Ainda na semana passada a professora de Português do meu filho escreveu "Bom descanço" num e-mail que enviou a todos os alunos.
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