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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Carnaval


Estava eu em frente aos fatos dos Power Rangers (só soube que eram Power Rangers porque fui ler a etiqueta, caso contrário achava que eram só fatos a imitar - mal - astronautas ou a imitar mal outra coisa parecida) quando os meus olhos deram com a Cláudia, uma amiga dos tempos do liceu, daquelas que a nossa ingenuidade comovente faz acreditar que serão amigas para sempre. A Cláudia estava do lado de lá do charriot, com a mesma expresão de desânimo que eu. Olhámo-nos.
- Estou tão lixada - disse eu.
- Tu estás lixada? - retorquiu ela. - Então que direi eu? A minha filha Francisca quer ser o homem-aranha. Tanta princesa, tanta fada, tanta Branca de Neve. Mas não. Ela quer ser o homem-aranha.
- Pois os meus querem ser maus. Ou heróis. Tanto faz, desde que tenham fatos para andar à pancada. Já corri tudo e a única porra que encontrei foram estes Power Rangers que parecem maus astronautas. E cada um custa 45 euros.
- Odeio o Carnaval.
- Nem me digas nada.
Andámos pelo Colombo como se nos tivessemos visto há dois dias. Sem os constrangimentos naturais de anos de desencontro. Sem os silêncios desconfortáveis. Eu ajudei-a a procurar um homem-aranha para a Francisca. Ela ajudou-me a encontrar maus.
Acabou como era de prever. Ela - rica desde que a conheço - levou umas penas de 3 euros para convencer a filha a usar um fato de índio emprestado. Eu, jornalista remediada, trouxe dois fatos por 90 euros. No final, despedimo-nos como se amanhã nos fôssemos ver outra vez.

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