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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Club de Leitura do Porto e próximos encontros

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Na véspera da minha viagem para as Maldivas fui de carro até ao Porto, para mais um encontro do clube de leitura. Foi um bocado maluco porque, sabendo que na sexta ia fazer mais de 600km de carro até Madrid (e depois mais 12 ou 13 horas de avião), na quinta fui de carro a conduzir até ao Porto e, depois de terminado o clube (já passava das 22h) meti-me de novo à estrada para voltar para casa. Foram basicamente 1200km de carro em dois dias. Mas valeu cada quilómetro, cada metro, cada hora!

O livro em análise era o Caim, de José Saramago, e se já tinha havido em Lisboa quem tivesse sentido dificuldade em lê-lo por razões de convicção religiosa, estava muito curiosa para saber o que pensavam os participantes do Porto. Geralmente, o norte é tradicionalmente mais católico do que o sul (ou, pelo menos, mais praticante, mais fervoroso) e, por isso, queria muito ouvir o que tinham para dizer. Uma das leitoras até me mandou uma mensagem, uns dias antes do encontro, a pedir para convencer o padre Paulo Duarte a ir ao encontro (ele tinha ido ao anterior) porque queria muito que alguém "do outro lado" conseguisse rebater as ideias do livro.

De um modo geral, muitos foram os que, apesar de muito católicos, conseguiram perceber a perspectiva de Saramago e achar graça à paródia que ele faz a certas passagens do Antigo Testamento. A Verónica, que é católica praticante e trabalha num colégio católico, disse: "Nunca concordei com aquela ideia de que não se brinca com coisas sérias, para mim é precisamente com essas que se brinca. E, na verdade, o Deus do Antigo Testamento era um Deus cruel, vingativo, terrível... não precisamos de Saramago para sabermos isso."

Ainda me ri com a Ana, que afirmou "eu estava a ler o livro e a benzer-me". E depois, com imensa graça, continuou: "A minha madrinha de casamento ofereceu-me uma Bíblia e vou ter de a ler já a seguir!" Para a Ana houve como que uma espécie de alereta para uma forma de ver as coisas como nunca tinha feito: "Uma pessoa tem ideias preconcebidas e ele manda uma laracha e a pessoa pensa: ai!"

Comecei a escrever o que cada participante achou do livro (com base nos meus apontamentos) mas depois há um ou outro que não tirei assim tantas notas e não quero que fique muito desequilibrado, com grandes dissertações para uns, e quase nada para outros. 

De todo o modo, o livro deu pano para mangas. Para falar sobre a relação de cada um com Deus, com a fé, com o Antigo e o Novo Testamento. Deu para falar de Saramago e do seu ateísmo zangado (para alguns um ateísmo culpado, de quem gostaria de não ser ateu). Deu para analisar a fronteira entre aquilo que se pode ou não pode (?) escrever, as fronteiras da ofensa, o rir de nós mesmos e das nossas crenças. Foi, como sempre é, muito bom.

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Próximos encontros:

LISBOA - ESTA QUINTA-FEIRA, DIA 27 DE JUNHO (excepcionalmente não é na sexta-feira porque a Mada faz anos). ÀS 19.30 NO BROWN'S HOTEL, EM LISBOA (RUA DA ASSUÇÃO, 75)

PORTO - DIA 5 DE JULHO (SEXTA-FEIRA), ÀS 19H NO VILA GALÉ PORTO

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