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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Curso da Prevenção Rodoviária Portuguesa, módulo velocidade #1

Ora então começou terça-feira.
Esta vossa amiga teve de abandonar o lar às 19h para poder estar às 19.30 na Prevenção Rodoviária Portuguesa, onde tem de frequentar este curso se não quer ficar sem carta. Ou uma coisa, ou outra. Preferi esta e, assim, terei 12 horas de formação, repartidas por 4 dias.

Quando cheguei estava uma fila para entrar na sala. Malta cabisbaixa, de cara fechada, braços cruzados, a típica postura corporal que indicia contrariedade e, em alguns casos, também alguma culpabilidade. Em suma, estávamos chateados de ali estar. 8 homens, 3 mulheres (eu incluída).

A formadora apresentou-se mas levou algum tempo a quebrar o gelo. Quando nos mandou tirar 3 fotografias, de cima de uma mesa pejada de imagens, que nos retratassem enquanto pessoas, enquanto condutores e, por fim, uma que representasse as nossas expectativas em relação àquele curso, entreolhámo-nos com ar de gozo. A sério? Mesmo a sério?

Afinal a coisa acabou por se revelar interessante. Numa primeira ronda, cada um de nós, sentados em cadeiras voltadas umas para as outras, em círculo, fomo-nos apresentando, quais alcoólicos anónimos. Uma apresentação, na maior parte dos casos, curta e grossa, quase seca e antipática, de quem está mesmo muito lixado por estar ali. Havia professores, comerciais, empresários, estudantes e eu só imaginava cada um de nós a levantar-se e a dizer qualquer coisa como "Olá, eu sou a Clotilde e já não excedo a velocidade há 2 dias".

Numa segunda ronda descrevemos a nossa condução e contámos como foram as nossas multas, aquelas que nos levaram ali. Foi a parte mais longa e onde se quebrou, por fim, todo o gelo. A malta basicamente desabafou. Que as multas eram injustas (é como os presos, nunca estão presos porque merecem, é sempre porque foi uma injustiça), que os limites de velocidade naquela via são obscenos, que os agentes se escondem para nos caçar... enfim, todo o universo contra os pobres prevaricadores. E sim, eu também me queixei da Avenida Marechal Gomes da Costa, essa grande mula (que não tem outro nome), que me lixa sempre quando vou a subir  (porque a descer há o radar fixo e esse já não me apanha).

Por fim, falámos das nossas expectativas. Aparentemente, esperamos pouco. Ou começámos por esperar pouco mas, ao longo das 3 horas, fomos aumentando as expectativas.
Eu, para já, fiquei a saber que já morreram mais pessoas nas estradas do que a soma dos mortos de todas as guerras do mundo. Será possível?
Vamos ver o que me esperam as próximas sessões.

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