Destruir para construir de novo
Hoje tomei consciência de que há muito tempo que não recebia críticas profissionais. E da falta que isso me faz. Passo a explicar isto melhor: como já há muito tempo que escrevo em jornais e revistas, regra geral a coisa não sai mal de todo. Há momentos em que sai mesmo bem, há outros em que escapa, mas assim mal mal, de fazer corar as pedras da calçada, felizmente, acho que nunca mais me aconteceu. Ainda assim, tenho a certeza que já diz as minhas borradazitas e que não me fazia mal nenhum ouvir umas críticas construtivas. Não tem acontecido. Ou porque o ritmo voraz não permite aos editores uma reflexão mais apurada sobre aquilo que leram, ou porque não estão para se aborrecer, ou porque acham realmente que o texto está bem, ou por qualquer outra razão que me esteja a escapar.
Agora, porém, como estou a fazer uma formação numa área que é completamente nova para mim, recebo críticas violentas. De alto a baixo. É duro, é difícil, obriga a recomeçar uma e outra vez. Obriga a uma tomada de consciência de nós, dos nossos tiques, dos nossos vícios, das nossas bengalas, dos nossos trejeitos. E essa tomada de consciência é violenta. Obriga a destruir tudo (sem perder de vista a essência) para tornar a construir. E de novo. E de novo. Tem momentos em que dá vontade de sair porta fora, não duvidem. Mas, na maior parte do tempo, faz-me sentir bem, a aprender, a crescer.
Agora resta saber se, no fim de contas, vou conseguir dar conta do recado. A ver vamos.