Do mérito
Ao ver esta notícia dei por mim a concordar com tudo. Podia demorar-me aqui a citar variados exemplos mas, para mim, o mais óbvio de todos é o que se passa no ensino. Os professores, sejam bons ou maus, obedecem à lei da selva e todos os anos vivem um autêntico salve-se quem puder que nada tem que ver com mérito. Ora, pensando que falamos de ensino, de passar conhecimentos às gerações vindouras, esta escolha sem ter o valor em linha de conta não podia ser mais desastrosa.
Não preciso ir muito longe na análise. Basta-me pegar na educadora da minha filha Madalena (mas o exemplo serve para qualquer bom professor, do ensino básico ao secundário): a Manuela é excelente. Carinhosa, empenhada, criativa, trabalhadora, apaixonada pelo que faz. Nós, pais, estamos muito contentes com ela. Os alunos, então, não se fala. A Madalena até já chegou a dizer que gostava mais da Manuela do que de mim, o que significa que tem ali alguém que a acarinha, que lhe dá atenção, que a ensina e que a faz gostar de ir para a escola todas as manhãs. O que podia querer mais?
Nós, pais, podíamos e devíamos fazer alguma coisa por ela. Recomendá-la. Dizer ao Ministério que ela é óptima e que merece ficar na escola que lhe der mais jeito. Porque tem mérito e o mérito devia valer alguma coisa. Devia valer muito. Quem o tem devia ser reconhecido, devia poder evoluir, crescer, ou pelo menos - e à falta de melhor - não devia ser prejudicado.
Este país só tinha a ganhar se fosse uma meritocracia.
Mas infelizmente ser bom conta pouco.
Que pena.