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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dublin #3

Domingo foi dia de visitar a prisão Kilmainham. Prisão criada em 1796 e extinta em 1924. Domingo foi dia de ouvir histórias de horror e de morte. Como a história de como, durante a Grande Fome (1845-1852), homens, mulheres e crianças cometiam crimes de propósito para serem presos porque na prisão, apesar de ter condições absolutamente desumanas, havia maiores de probabilidade de sobrevivência do que fora dela. Durante a Grande Fome (provocada essencialmente por uma peste que devastou as plantações de batata - base da Economia nacional da época) morreu mais de um milhão de irlandeses. Na prisão, nesses tempos mais duros, serviam uma única refeição por dia (muito mais do que poderiam obter cá fora).  Em celas de 3m2 chegavam a coabitar 7 pessoas (sem separação por sexos, era tudo ao molho e fé em Deus). Só paredes e chão frio. As janelas com grades não tinham vidros. Considerava-se que, desse modo, as febres e as doenças não tinham condições de proliferar. Talvez não estivessem completamente errados porque a mortalidade dentro da prisão era bastante baixa (apesar de ser quase impossível acreditar, dadas as condições).

O mais novo elemento aqui detido chamava-se Mathew e tinha 5 anos. Foi preso por ter roubado comida.

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 Esta era a parte nova, construída em período vitoriano. O tecto em vidro era para que os presos pudessem olhar o céu, em busca de redenção. Esta parte da prisão já apareceu em vários filmes, como Michael Collins ou In The Name of The Father.

A parte velha da prisão (em baixo) era muuuuito pior

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Foi nesta prisão que foram executados 14 rebeldes da Revolta da Páscoa, em 1916 (uma revolta de militares irlandeses contra o domínio inglês): Thomas Clarke, Thomas Mac Donagh, Pádraig Pearse, Edward Daly, Michael O’Hanrahan, William Pearse, Joseph Mary Plunkett, John MacBride, Con Colbert, Éamonn Ceannt, Seán Heuston, Michael Mallin, James Connolly and Seán Mac Diarmada.

 

Saímos da prisão com um nó na garganta. Felizmente já tínhamos comprado o bilhete para a visita das 16h à Jameson. Para digerir aquela visita só mesmo com um whisky destilado 3 vezes!

A Jameson Storehouse começa por ser um dos bares mais giros onde já estive.

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"Uma boa história não pode ser partilhada. Tem de ser destilada" 

 

A visita foi fantástica. Soubemos a história de John Jameson, que quis criar um whisky realmente suave e que, para isso, achou que o whisky podia ser destilado três vezes (até então só se destilava uma vez ou duas). 

Ele e a mulher Margaret tiveram 16 filhos. Já o Arthur Guiness e a Olivia tinham tido 21 filhos, o que me parece dizer muito sobre a relação entre o álcool e a procriação. Malta com vontade de ter filhos, um conselho: cheguem-lhe!

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Mas também aprendemos sobre os ingredientes e sobre o processo de criação deste whisky irlandês.

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 No final, provámos três whiskeys diferentes. Um Jameson (destilado 3 vezes), um whiskey escocês destilado duas vezes e um americano, destilado apenas uma vez. E, de facto, as diferenças eram abissais. Não só na espessura da bebida no copo (o Jameson parecia mais encorpado, deixando uma lágrima depois de se inclinar o copo a 45º), como no cheiro, mas sobretudo no sabor. Eu, que não gosto de whisky, não fiz cara feia quando provei o Jameson e fiz duas caretas horríveis quando provei os outros.

Gosto do lema da empresa: Sinu Metu (que quer dizer "Sem medo", em Latim). Hoje em dia preferem traduzir para qualquer coisa como "Fear less, live more" ("Temam menos, vivam mais", que é o tipo de lema que procuro seguir na minha vida).

No final, um Jameson oferecido. Mamãe bebeu um Jameson on the rocks e eu um Jameson com Ginger Ale e lima. Muito bom!

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 Cheers! (again)

 

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