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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Eutanásia: sim ou não?

Tenho uma pessoa da família em estado terminal. 

Tem 91 anos, um cancro avançado com metástases várias, teve recentemente um AVC.

Está hospitalizada e, aparentemente, em grande sofrimento. Não fala, só geme e chora. Depois, a família implora por mais morfina, e ela lá se apazigua por mais umas horas, até voltar tudo de novo.

As pessoas mais próximas dizem-me que só têm vontade de a ajudar a partir, ainda que sejam só desabafos, porque sendo a eutanásia ilegal nenhuma delas se meteria a fazê-lo. 

Mas... não seria o mais justo? O mais digno? O mais humano? O mais piedoso, caridoso e bondoso que poderíamos fazer?

Aquela pessoa não está a sofrer para se curar. Está a sofrer para morrer. Ela não vai passar por este caminho das pedras para, depois, se levantar da cama e ir à sua vida, toda alegre e contente. Ela todos os dias sofre o que nenhum de nós quer sequer imaginar e o desfecho é o que todos sabemos.

Será que isto faz sentido? Vivemos uma vida inteira, ultrapassamos obstáculos, trabalhamos, rimos, choramos, fazemos coisas bem feitas, fazemos coisas mal feitas, e depois, se não acabarmos antes num acidente ou de uma morte qualquer prematura, estamos condenados a penar para morrer? Ou então fazer figas para que nos dê um piripaque que nos leve em 2 minutos? 

Este é um tema sensível, sobretudo para os católicos, para quem o único que pode decidir sobre a vida e a morte é Deus. Compreendo. Mas às vezes Deus demora muito tempo. Demasiado tempo. E eu sou cada vez mais a favor de dar uma ajudinha a Deus, quando ele está distraído - espero - em salvar outras vidas que ainda têm muito para viver.

Euthanasia-Feature-Image.jpg

 

3 comentários

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    Manuel Rocha 10.01.2018 12:56

    "país seja legal abortar um ser saudável e com uma vida pela frente" Como é que pode fazer uma afirmação destas, com um feto até ás 12 semanas? Existem milhões de milhões de situações que é impossível saber até essa altura. Se existir uma deformação genética secundária, só ás 18 semanas é que a ecografia o comprova mesmo que os médicos já possam desconfiar dela ás 12 semanas. Nessa altura, o aborto é impossível e aquela mãe só poderá proteger-se a si própria, se sofrer um aborto espontâneo. Por aí, nunca deveria usar essa arma da igreja, e dos malucos religiosos, para comparar com a eutanásia.
    Ou estará a comparar a legislação antiga que uma mulher podia abortar se provasse a violação em tribunal, mesmo que isso demorasse 9 meses ou mais a ter a decisão? Há por aí muitas centenas de crianças (agora homens) que foram entregues para adopção, por as mães terem estado à espera da decisão dos tribunais para abortarem... que chegou já os bebés andavam por sozinhos.
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    Bruxa Mimi 12.01.2018 10:45

    A "legislação antiga" nao permitia o aborto "apenas" em caso de violação, mas também em caso de deficiência do bebé, muito mais tarde do que as 12 semanas de gestação, pelo que o argumento apresentado é inválido. Para além disso, quem é que decide se uma vida "não saudável" vale menos do que uma vida "saudável"? Se calhar uma pessoa com deficiências dá mais valor à vida do que uma pessoa saudável que toma tudo por garantido - incluindo a saúde.
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