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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Quando morre um de nós fica difícil não cair num poço de pensamentos negativos, "porquê?", "que sentido é que isto faz?", "tinha tanto ainda para fazer", "qualquer dia somos nós", "o tempo passa tão depressa", e por aí fora, numa espiral de tristeza e, sobretudo, de perguntas sem resposta.

Gostava de ter fé. Já o disse mais do que uma vez. Ter fé deve ajudar muito mas eu, quando ouvia o padre falar no funeral do meu amigo, dizendo que não devemos ficar tristes nem revoltados com a morte do Tiago porque o Senhor decidiu chamá-lo e o Senhor sabe o que faz, só tinha vontade de chorar ainda mais. Com todo o respeito (e é um respeito verdadeiro - tive um tio padre, tenho amigos padres e muitos amigos católicos), porque é que o Senhor não leva a escumalha para o Céu e a enche de sabedoria e bondade, livrando-nos a nós, comuns mortais, de a aturar cá na Terra? Por que leva boas pessoas, jovens, crianças, deixando famílias e amigos numa tristeza difícil de reparar? Poderão dizer que é uma pergunta infantil, básica, que as coisas não são assim, e eu retorno "mas por que é que não são assim?", e respondem-me sempre "Deus sabe o que faz" ou "é tudo uma questão de fé". Caneco. Porque é que não nasci com esse dispositivo de compreensão?

Aquela mãe... enfim. Conseguirá aquela mãe não ficar triste, consolando-se no privilégio de o Senhor ter chamado o seu filho? Eu não conseguiria, se fosse comigo. De resto, espero sinceramente que o Senhor não se lembre de chamar nenhum dos meus filhos. Chame-me a mim primeiro, que tenho aqui muitas imperfeições para corrigir. 

 

(Desculpem-me os crentes. Estas questões não são para vos ofender. São apenas questões, que me assolam muito mas ainda mais nestes momentos tristes.) 

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