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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Férias 😍

Férias rima com vagar. Acordar e ficar na cama, na ronha, até todos os filhos, um a um, invadirem o nosso espaço com os seus corpos quentes de sono em abraços apertados que se dão de olhos fechados. Férias é tomar o pequeno-almoço no nosso pequeno jardim, todos juntos ou, quanto eles dormem até mais tarde, à vez. Sem pressas. Sem a correria dos pequenos-almoços nos dias de escola. Férias é praia, claro. E cheiros bons: o perfume das flores algarvias, o pinhal da Praia Verde, a ria formosa, o mar. Férias é jogos na areia: cartas, stop, futebol, raquetes. Férias é ler. Muito. Livros que deliciam pela beleza da escrita mas sobretudo livros que se devoram pelo suspense e mistério - para mim, os melhores para ler na praia. Férias é dormir sestas na areia, a ouvir ao longe o vendedor das bolas de Berlim com o seu cântico e risos de crianças e as ondas a rebentar. É um sono leve porque escutamos tudo, mas perfeito mesmo assim (ou por isso mesmo). Férias é sair do areal já com o crepúsculo. É ficar com as toalhas hirtas de sal, os cabelos com algas que não se libertam nem com um banho, é sentir a areia nos pés em casa mesmo depois de varrer tudo duas vezes. Férias é apanhar o comboio do Barril com o lusco-fusco e sentir aquele cheirinho inconfundível (reconheceria aquele lugar de olhos fechados, apenas pela brisa). Ou subir a ladeira da Praia Verde já com vontade de jantar. Férias é fazer projectos, sonhar, imaginar que tudo possa ser ainda melhor do que já é. Férias é passar tempo com os amigos de sempre, é ver como os nossos filhos crescem juntos desde que nasceram, é ver as diferenças de ano para ano e sentir um misto de alegria e nostalgia por isso. Férias rima com jantares tardios, percorrendo todas as capelinhas obrigatórias do verão: os petiscos de Cacela, o Sem Espinhas, os Pezinhos na Areia, o Zé Maria, o Fialho, a Noélia, o Pedro, os fritos de Ayamonte. Nas férias também há birras épicas, por falta de sono, mas que se aguentam bem porque ninguém tem a paciência esgotada. Porque nas férias gostamos todos mais uns dos outros, porque temos tempo para nos lembrarmos disso, porque não temos mais nada para fazer do que estarmos juntos. E é tão bom. Férias é tudo isto, todos os anos, numa monotonia que não cansa. Provavelmente, se não tivessem fim não seriam tão boas. Mas que custa muito pensar que terminam... isso custa.

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