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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Não há coincidências?

Há umas semanas, um casal amigo veio jantar. Falávamos de várias coisas, e às tantas a nossa amiga disse-me que conhecia um texto sobre isto de sermos pais que era muito bonito. Havia de mo enviar por email.

As semanas passaram, ela não enviou, eu confesso que também não me lembrei mais do assunto.

Entretanto, uns dias antes de partirmos para o Brasil, os nossos compadres enviaram o missal com o que cada pessoa ia ler no baptizado do nosso novo afilhado, António Maria. Não li, porque estava nos preparativos da ida. Durante as férias acabei por também não ler, porque depois de aterrar ainda ia ter dois dias inteiros antes da cerimónia para preparar a leitura.

Li na sexta-feira (o baptizado foi este sábado). E achei muito bonito, o texto que me cabia ler. Uma citação de O Profeta, do poeta e pintor Khalil Gibran. Livro que mora cá em casa desde 1997, ano em que me foi oferecido pelo Tiago, um bom amigo de faculdade. Li o texto uma primeira vez, uma segunda, uma terceira.

Na mesma sexta-feira, um pouco mais tarde, recebi um email daquela amiga que veio jantar há umas semanas. Perguntando pelas férias, agradecendo o jantar e anexando o tal texto que havia prometido enviar. Quando comecei a ler nem queria acreditar. Era o MESMO que ia ler no dia seguinte, no baptizado. Foi um momento bastante twillight zone, para dizer a verdade. Para muitos, será apenas uma simpática coincidência. Mas, para mim, ficou ali num limbo entre isso e outra coisa qualquer.

 

Como sabem, sou pessoa com muitas dificuldades em crer em tudo o que não vejo ou não percebo ou em tudo o que não esteja cientificamente provado. Mas, como também muitos vão percebendo, sou pessoa com muita vontade de crer. Em algo, em tudo, em qualquer coisa que me tranquilize sobre o que andamos aqui a fazer, o sentido que isto tudo tem, o que sucede depois. De modo que, perante circunstâncias como esta, é difícil não ficar a pensar: "Foi coincidência? Foi um sinal, daqueles que tanto peço? Foi apenas um texto que duas pessoas acharam que fazia sentido eu ler, num dos casos ler enquanto madrinha de um baptismo?"

Não sei. Nunca saberei. Mas, quando o lia, não pude deixar de sorrir. Uma coisa era certa: aquele texto tinha de me chegar, e eu tinha de o fazer chegar aos outros (nem que fosse apenas ali, na cerimónia do baptismo). Deixo-o também aqui, para que o possam ler.

 

E uma mulher

que trazia um menino ao colo

disse:

- Fala-nos das Crianças.

 

E ele respondeu:

- Os vossos filhos

não são vossos filhos:

são filhos e filhas

do chamamento da própria Vida.

 

Vêm por vosso meio

mas não de vós;

e apesar de estarem convosco,

não vos pertencem.

 

Podeis dar-lhes o vosso amor;

mas não os vossos pensamentos:

porque eles têm pensamentos próprios.

 

Podeis acolher os seus corpos;

mas não as suas almas:

porque as suas almas habitam a casa de amanhã

que não podeis visitar 

nem sequer em sonhos.

 

Podeis esforçar-vos por ser como eles;

mas não tenteis fazê-los como vós.

Porque a vida não vai para trás,

nem se detém com o ontem.

 

Sois os arcos, e os vossos filhos

as setas vivas projectadas.

 

O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito,

e retesa-vos com o seu poder

para que as setas

possam voar depressa para longe.

 

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro

seja de alegria.

 

Porque assim como Ele gosta

da seta que voa, 

também gosta do arco que fica.

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