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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Não perder a infância de vista

No dia de conhecer a nova professora da minha filha, olhei em redor e sorri para dentro. Todos os pais escrutinavam a senhora de alto a baixo, cada frase que ela proferia era sorvida com intensidade, cada gesto pesado e medido com rigores de ciência exacta. Todos procurávamos indícios de velhacaria, mas todos desejávamos não os encontrar, porque o que todos queríamos era sair dali com a confiança de que aquela pessoa havia de ser o melhor que tinha acontecido na vida dos nossos filhos, logo depois de nós.

Uma nota para dizer que, para muitos de nós, este é um teste difícil. A educadora que, no ano passado, tomou conta das nossas crianças era um ser humano excepcional, uma pessoa que aliava o facto de ser amorosa com uma capacidade de trabalho e de os pôr a trabalhar com prazer como raras vezes vi. Querida Manuela. Por isso, esta professora tem, logo à partida, uma bitola alta para atingir ou superar.

O que eu queria era que, além de ensinar bem e ser exigente, ela não se esquecesse que tem à frente crianças. De seis anos. Que precisam de sentir que a escola é um lugar alegre, bonito, onde são acarinhadas e onde aprender não tem de rimar com repreender a cada minuto, que estudar não tem de rimar com gritar, que crescer não tem de ser sinónimo de sofrer ou perder o viço, o brilho, a luz própria que cada um traz (e que, vezes demais, acaba por ser apagada na escola, a bem de uma uniformização conveniente). Isto era o que eu gostava. Gostava muito que a Madalena, que é dos meus três filhos (o 4º ainda não dá para ver) aquela que parece mais interessada em aprender, não perdesse esse gosto. Não perdesse o amor que tem à escola. Não passasse a olhar para a escola como "aquele-sítio-onde-temos-de-estar-calados-e-quietos-e-sérios-e-fazer-tudo-certinho-senão-a-professora-larga-aos-gritos". Gostava muito que a Madalena e os amiguinhos (e na verdade todas as crianças) pudessem ser crianças por mais uns anos. Porque sei que grassa por aí uma certa mania de os tornar mini-adultos e esse é o último dos meus desejos enquanto mãe.

Vamos lá ver. 

2 comentários

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    MC 23.09.2015

    Tão verdade, Alice! As crianças têm hoje em dia currículos tão carregados, tantas expectativas de resultados, tanta 'accountability'... parecem pequenos adultos stressados sem tempo para serem crianças. Mesmo assim, fico contente por ver na caixa de comentários da Sónia que tantas pessoas se preocupam com isto... tenho ideia que nos últimos anos os adultos têm estado empenhadíssimos em encher os miúdos de compromissos e actividades e as valiosas horas de brincadeira têm sido paulatinamente desvalorizadas.
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