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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O caos que enfurece a Emília

Tenho uma senhora que me ajuda, há quatro anos. Vem cá à casa às segundas, terças e quintas, 4 horas em cada um desses dias. Sem ela já teria dado em maluca. Ela dá em maluca e esta é a sua profissão. A dona Emília trabalha que nem uma desvairada mas nunca fica satisfeita porque o caos em que a casa muitas vezes está impede-a de combater a roupa para passar a ferro e dedicar-se aos pormenores. Ela gostava de cuidar dos detalhes, dos frisos e dos rodapés, das minudências porquitas que se vão acumulando, mas não consegue porque é absorvida por triciclos no meio da casa, loiças, papéis, camas com chichi e outros desarranjos maiores. De modo que, muitas vezes, a dona Emília está de trombas. A gente percebe logo pelo modo como ela bufa e atira com as portas, que o dia não lhe está a correr como previsto. E, para tentar evitar isso, já demos por nós muitas vezes a arrumar a casa na véspera de ela vir, para ver se não a indispomos tanto. Os nossos amigos riem-se. "A dona Emília vem amanhã, não?" E dizem que temos medo dela. O que não é completamente falso.
Ontem foi um desses dias, em que a dona Emília deve ter tido vontade de nos mandar a um sítio feio, inóspito e longínquo, batendo com a porta para mais não voltar. É que à quinta-feira, a dona Emília gosta de se concentrar na roupa. Mas a casa gritava por ela com tanta força que o ferro de engomar não chegou praticamente a aquecer. E quando lhe trocamos as voltas, a senhora trata-nos mal. Responde à bruta. Faz mais barulho com a loiça. Dá vontade de lhe prometer que nunca mais deixamos a casa desarrumada em dias que ela venha.

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