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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ontem fui a minha mãe e... não gostei

Há algumas coisas em que me pareço com a minha mãe e não me importo, pelo contrário. Na responsabilidade, por exemplo. Na capacidade de trabalho, também. Mas ontem fui igual à minha mãe quando ela me tentava ajudar nos trabalhos de casa ou quando estudava comigo. E era sempre mau. Metia sempre gritos. E eu hoje só conseguia ouvir a voz dela, a sair de mim. Acho que todos nós já passámos por isto de repetirmos comportamentos que não gostámos de sentir, com o mal-estar subsequente. 

A verdade é que há qualquer coisa de profundamente errado na escola que temos.

O Martim está no 7º ano e ontem esteve a estudar coisas tão interessantes como a projecção da esfera terrestre num plano. Basicamente teve de decorar que há a projecção cilíndrica, a projecção cónica de Lambert, a projecção azimutal polar ou a projecção homolósena de Goode. De cortar a respiração de tão entusiasmante. Perdoem-me os geógrafos, e os cartógrafos, que devem adorar tudo isto, mas no 7º ano custa-me a crer que isto seja efectivamente o que queremos ensinar aos nossos filhos. Até porque aposto um rim em como daqui a 3 ou 4 dias nenhum deles ainda se lembra disto, claramente marrado para saber no teste e ponto final parágrafo. E quem diz esta matéria diz outras, empinadas à força apenas para não falhar nos testes.

Já a Madalena, que - relembro - tem 8 anos e anda no 3º ano, esteve a estudar Inglês. E fiquei absolutamente incrédula com a quantidade de matéria: cores, dias da semana, meses do ano, objectos da escola, palavras relacionadas com o Outono, e o presente do verbo To Be. Foi lixado meter-lhe na cabeça que February não era com "e" mas sim com "a", apesar de ser ler "Februéry", foi tramado fazê-la aprender a escrever "schoolbag" e não "scoolbeg", foi do caraças vê-la a patinar com o verbo To Be, e foi uma aventura pô-la a escrever "Wednesday".

A Madalena tem sido uma aluna exemplar. Nunca foi preciso estudar com ela nem ajudar nos trabalhos, mesmo com matérias (em Matemática, por exemplo) que me parecem demasiado complexas para o nível de abstracção que se tem aos 8 anos. Mas este fim-de-semana e ontem vi o desespero no seu olhar. E, em vez de ajudar, sei que perdi a cabeça. Zanguei-me com ela, quando devia era zangar-me com este sistema de ensino. Agora estou só zangada comigo, por embarcar nesta loucura de exigir de crianças da Primária quase tanto como se estivessem no liceu. 😞

3 comentários

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    Anónimo 31.10.2017

    Sou a mãe professora que comentou há pouco e não posso deixar de concordar com alguns aspetos que refere.
    Os miúdos estão sempre conetados, o que dificulta ainda mais todo o processo.
    Mas, que há conceitos demasiado abstratos exigidos antes da hora, lá isso há.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 31.10.2017

    Porque teimam em privilegiar a incompetência e não em formar adultos pragmáticoas, funcionantes e flexíveis.
    Sempre tive TPCs (ajustados a minha faixa etária) e sempre tive funções escolares depois da escola, e sempre brinquei. e não sou uma adulta mais ou menos frustrada por isso. Sou capaz no meu trabalho, adapto-me a outros e auxilio colegas sem dramas. Os meus colegas mais novos são inflexíveis, quadrados, sem capacidade de adaptação e claro que, a seus olhos, o mundo e que continua mal e não adaptado a eles.
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