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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Querido José Barata Moura

Sempre adorei as tuas canções. Come a papa, Joana come a papa; a bola do Manel, o fungagá da bicharada. Sei as letras do disco do fungagá todas de cor. Mal tive o primeiro filho comprei o CD para que ele também as aprendesse. Todos cá por casa as ouviram, todos cá por casa as cantaram. Mas...
Mas a minha terceira filha, Madalena, é mais que tua fã. É uma taradinha, que te ouve cantar todo o santo dia, sem se cansar. José... eu, que sempre adorei a Joana come a papa começo a sentir tonturas mal a oiço. Todos os dias, logo pela manhã, ainda com remelas nos olhos, a pequena Mada pede: «Come a papa, Joana?» Eu finjo que não oiço, assobio para o ar, tento distraí-la. Mas nada. A Madalena não desiste. E eu, nós todos, escutamos exaustos a menina que era um castigo para comer. Ainda agora, que aqui estou a escrever este post, tenho a música nos ouvidos e ela ao meu lado, contente, a cantar a letra que sabe de cor: «1, 2, 3, uma colher de cada vez. 4, 5, 6, era uma história de reis...»
Nas férias, o rapaz que dava concertos no hotel deparou-se com uma coisinha minúscula à sua frente a pedir: «Senhor? Ó senhor? Come a papa, Joana?» E ele, enternecido, tocou e cantou a canção: «7, 8, 9, ainda nada se resolve; 10, 11, 12, à espera que a mosca pouse...»
De maneira que é isto, José. Queria que soubesses. Que as gerações passam e a música fica, sempre, apaixonante e, no caso da minha filha, viciante.

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