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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

São Silvestre

Ora então. Não ia nada convencida. Tenho feito exercício, é certo, mas pouca corrida. Desde aquele dia em que me esbardalhei que voltei a ganhar medo (passo a vida com medo de cair) e parei um bocado. E, já se sabe, quando se pára, o difícil é retomar. Depois houve os jantares de Natal e o Natal propriamente dito e mais isto e aquilo, que a malta cá em casa gosta sempre de aproveitar para a rambóia. Na véspera da São Silvestre fomos para os fados. Deitámo-nos tarde. Almoçámos massas (como os atletas a sério - ahahahah) mas em vez de termos almoçado até 3 horas antes, não, foi uma hora antes - liiiindo! Claro que comemos pouco mas ainda assim são muitas parvoíces juntas. Não ia, por isso, com fé de conseguir, sequer, chegar ao fim. Já tinha feito a São Silvestre e sei que é uma prova lixadíssima. Ainda por cima este ano a subida não se limitou à Avenida da Liberdade (que já é a p*t* da loucura), este ano era sempre a subir até ao Saldanha! Credo.
Comecei cheia de gás. Tanto gás que, ao fim de 2 km, estava morta. Tinha uma dor de burro que me apanhava todo o lado direito, e sentia-me a falecer. Foi então que disse ao homem, ali perto de Santa Apolónia: «Vai, vai, faz-te à vida, que esta aqui vai ter de abrandar». Ele foi. E eu parei. Respirei fundo, caminhei um bocado, achei que estava acabada. Quando cheguei ao Terreiro do Paço, consegui voltar a correr.
A subida da Avenida foi um martírio. Aquilo nunca mais acabaaaaa. Depois, chegada ao Marquês, em vez de ter a alegria de descer a Avenida não... olhei para a subida que me esperava e pensei que o Fontes Pereira de Melo era um sádico. Curiosamente, dei-lhe com alma na subida e, quando já estava quase a chegar ao Saldanha, vi o meu homem já a descer. Acenei-lhe e acho que consegui gritar «Força aí, pá!» mas depois foi um vê se te avias para recuperar a respiração outra vez. Quando comecei a descer acelerei que nem uma doida. Passei não sei quantos, com uma gáspia maluca, mas sempre a levantar bem as patas porque uma queda a descer e com o turbo ligado podia ter-me valido os dentinhos da frente todos. Quando cheguei ao Marquês estava outra vez com aquela dor do lado direito. Intensa e chata. Olhei para a avenida da Liberdade, tão comprida, e pensei: «Ai, filha, que ainda tens tanto que palmilhar». Esqueci a dor, dei corda aos ténis e lá fui eu. Sensivelmente a meio da avenida, vi a prima Cristina com o Vasquinho ao colo. Começou aos saltos e a dar força e juro que até me emocionei. Eu sentia-me tão morta, tão morta que aquele aceno foi um bálsamo.
Cheguei à meta feita num oito. Com vontade de vomitar e de chorar, tudo ao mesmo tempo. Eu sei que são só 10 km, que há por aí gente a correr meias maratonas e maratonas e o diabo, mas para mim 10 km ainda é muito. Sobretudo com duas subidas deste calibre, eu que corro sempre a direito na Expo. Na meta, encontrei o meu homem, ainda arfante mas já sorridente. Ele fez 01:02:46, tempo de chip (01:04:06), eu fiz 01:06:38, tempo de chip (01:07:59 tempo oficial). E pronto. Assim foi. Agora tenho mesmo de ver se continuo. Porque estou farta de fazer sempre mais de uma hora. E quero ver se nos próximos 10km consigo fazer menos que isso. Vamos ver.

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