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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Tratamento Choy #1

Ora então, depois da consulta de avaliação dos estragos, na semana passada, hoje foi dia de agulhas na clínica Pedro Choy. E, claro, dia de pesagem. Eu, rapariga que pecou duas vezes esta semana, sentindo-me inchada e temendo o pior, aproveitei os 2 minutos que fiquei sozinha no gabinete para me pesar, antes mesmo da pesagem oficial. Olhei para a balança, subi lá para cima, e fiquei em pânico: meio quilo a mais!
Pensei: vou fugir! Invento que deixei uma panela ao lume, que tenho o carro aberto, que larguei as crianças sozinhas em casa. Ou então largo mesmo a correr esbaforida, sem dar explicações a ninguém, como se tivesse o cu a arder.
Estava eu nestas deambulações cobardolas quando a Drª Anabela Staiss entrou, com aquele sorriso de quem confia que tenhamos feito um bom trabalho.
- Oláaaaaaa! - exclamou ela (ainda feliz por desconhecer o meu fracasso).
- olá... - sussurrei eu.
- Vamos então subir para a balança, minha querida?
A ideia da fuga voltou a ocorrer-me, mas não tive coragem. Subi. Silêncio. Fui eu quem interrompeu o silêncio.
- Foi um jantar e um almoço. No jantar no H3 pedi hambúrguer com salada mas depois piquei as batatas dos miúdos; no almoço ataquei sushi como se não houvesse amanhã. Sou uma falhada, eu sei. Mas eu vou-me emendar...
A Drª Anabela sorriu, garantiu que não era uma falhada ao mesmo tempo que me espetava as agulhas no bandulho e pedia que trabalhássemos em equipa, que pronto, que íamos esquecer então este pequeníssimo deslize, mas que assim não chegávamos longe. Ao mesmo tempo que me dava palmadinhas nas mãos, amorosa, enfiava-me as agulhonas nas coxas e falava-me de compromisso. Tanto me pedia que não me culpabilizasse como me explicava que fazer sacrifícios e depois estragar tudo não traz benefícios a ninguém.
Depois de me ligar à máquina que dá choques (dizer isto assim tem uma densidade dramática razoável - parece que fiquei ali de castigo, a ser electrocutada que é para aprender a não ser lontra), a Drª Anabela foi-se. E eu fiquei a olhar para a balança, essa grande delatora, e a pensar que não posso pecar nem meia vez, que a grande vaca chiba-se logo. Triste mesmo é isto: não posso desviar-me um milímetro da regra, que nota-se logo.

São cinco quilos que tenho para perder. Nada de transcendente. De facto, dois ou três meses de rigor não me hão-de matar. E sobretudo não quero voltar a passar por este tormento de a ter a olhar para mim com aquele sorriso que quer dizer: ai, texugo, texugo... ou fechas a matraca ou és um caso perdido, texugo.

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